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reunião de negócios

A Saga (Parte 1)

  • Foto do escritor: AMDF
    AMDF
  • 21 de out. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 5 de jul. de 2024

por Khelly Corrêa


Cheguei em Maringá em 12/05/2007. Decidi que moraria em Maringá depois de assistir, num programa de televisão, a uma reportagem com Andrea Luz.


A entrevista era sobre o projeto que ela desenvolvera e aplicara com carinho e excelência para os deficientes físicos de Maringá, o Dança Sobre Rodas, e sobre a doença que a deixara numa cadeira de rodas: o vírus da carne de porco.



Andrea Luz, bailarina, PCD e idealizadora do ballet "Dança Sobre Rodas", e que me fez apaixonar por Maringá.



Sobre a pauta da entrevista, preciso pedir desculpas, não sei nada sobre a pauta principal.

Depois de ouvi-la dizer um pouco das maravilhas de Maringá/PR e de como trabalhavam e desenvolviam projetos em prol das pessoas com deficiência, fiquei maravilhada!


Tinha um grande número de pessoas (pessoas com necessidades especiais) e ela falou da

CVI (Centro de Vida Independente), que realizava um trabalho incrível de inclusão,

parcerias com empresas como a Copel (Companhia de Energia) e os Correios,

entre outras empresas que tinham participação na área do lazer,

e promoviam viagens de lazer com olhar de ternura e respeito para com as pessoas com deficiências. Era tudo que eu queria para minha vida!


Anotei o endereço e comecei minha saga rumo à Maringá. Mal sabia eu que, depois daquele dia, levaria uma década para chegar... mas cheguei. Fiz contato com a prefeitura, depois de alguns anos organizando minha vinda com minha família: três filhos, sendo um do coração, nora e meu netinho que nasceria quando eu já estava com tudo organizado para vir. Aguardei que ele crescer um pouco, enquanto pesquisava Maringá e me maravilhava.


Eram reais os cuidados e a importância que tinha uma pessoa com necessidades especiais. Projetos lindos que prometiam trazer as pessoas com deficiência para o "meio" e as traziam. Aos quatro meses de vida do meu neto, partimos: eu, meu filho mais velho e o do coração, deixando para traz meu caçula, nora e neto. Decidi que viríamos na frente para abrir fronteiras e conhecer a realidade. Conhecemos e decidimos ficar.



Minha família em nossa chegada à Maringá.


Uma família de amigos nos receberia em sua casa, pessoas da minha cidade que, por obra

divina, encontrei enquanto pesquisava Maringá/PR. Fomos recepcionados e auxiliados em tudo por eles e pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, na pessoa de tantos que não vou citar os nomes nesse primeiro momento.


Na prefeitura, minha solicitação de contato com Andrea Luz, ainda antes de chegar aqui, foi

muito triste. Ao ligar querendo dizer a ela que estava de viagem marcada para cá fui informada pelo então secretário de administração, sr. Gilton Boneau, que Andrea Luz havia falecido há dois anos. Sr. Gilton foi muito sensível ao dar a notícia, ainda assim me senti triste e enlutada.


Ele me chamou para vir e disse que pediria a uma outra pessoa para me receber e assim foi. Dia e hora marcados, passagens devidamente compradas, embarcamos na rodoviária de Porto Alegre dia 06/12/2007 à noite. Não sei precisar o horário, mas quase certeza que eram 21h. Estávamos a 1300km de Maringá, na capital do Rio Grande do Sul, rumo a uma cidade desconhecida. Fui recebida, instalada e comecei a minha luta por começar de novo.


A pessoa que nos recebeu foi Ismael. Trabalhava também na prefeitura e possuía uma

deficiência entre a paraplegia e a tetraplegia, eu não sabia precisar (e não me senti à vontade para perguntar). Ele me causou uma boa impressão. Foi ele quem fez a lista dos bairros mais acessíveis para eu alugar um lugar para morar.


Logo mais conheci Rubens Monteiro, que fazia parte da AMDF-PR. Se não me engano era vice-presidente na época. Fizemos amizade e, numa visita à minha casa, ele falou do Condomínio PCDs. Ouvi maravilhada! O projeto baseava-se no exemplo de outro condomínio que já havia sido construído e que era um projeto pioneiro e com grande repercussão positiva em Brasília e Maringá: o Condomínio do Idoso. Este, não posso deixar de dizer, fora sugerido ao prefeito da época, Silvio Barros, por sua mãe. Já o condomínio da pessoa com deficiência foi proposto ao prefeito em exercício pelos integrantes da AMDF-PR (Associação Maringaense de Deficientes Físicos).


Depois dessa conversa, as tratativas para a concretização do projeto seguiram seu curso e minha vida também. Nesse meio tempo fui assistir à última apresentação do projeto Dança Sobre Rodas, o qual não sobreviveu sem sua idealizadora, Andrea Luz. Sendo que logo veio o escândalo da CVI (Centro de vida Independente), que encerrava suas atividades.


Minha casa ainda não tinha móveis, que ficaram no RS por ser muito caro trazer minha mobília para cá. Uma igreja local me chamou para participar da gravação de um programa de televisão que promovia a doação de móveis. A cidade viu a gravação e mobiliou nossa casa em 24h! Sobrou muita coisa, sendo possível ajudar outras famílias recém-chegadas em busca de uma nova vida, assim como eu e os meus.


A vida seguia seu curso e eu voltei aos estudos e fui trabalhar. Estava feliz, encantada com as mil possibilidades que via aqui. Por ter sofrido um acidente de trânsito ainda muito jovem e, também, ter sido tirada da escola muito cedo para trabalhar na roça (pois na época da minha infância estudar era quase impossível), procurei uma escola e comecei desde o ensino fundamental, por não ter certificado escolar. Fui em frente fazendo ENEM, ficando por até 11h dentro da escola. Fazia também curso na ACIM para o mercado de trabalho. Muitas vezes vomitei, enjoada de tanto cálculo (matemática, para quem é puramente humanas, é um tormento!).


Minha casa tinha uma edícula nos fundos, onde moravam dois estudantes de Física da UEM (Universidades Estadual de Maringá). Nossa família morava ao lado. Eles me ajudaram muito! O Flávio Michelins eu incomodava bastante para que me ensinasse matemática. Demorei três anos só para aprender a difícil matéria.


Feliz, eu trilhava meu caminho com minha cadeira manual que há 30 anos empurrava. E quando via pessoas nas suas cadeiras elétricas, dizia para mim mesma que teria uma assim também. Não sabendo de onde sairia o dinheiro, ainda assim eu sonhava. Ou seja, mais possibilidades, mais conforto, mais facilidade e agilidade no meu ir e vir. Eu estava feliz. Maringá se tornou meu paraíso, depois de sofrer no purgatório.


(continua...)




















Eu, Khelly, feliz no paraíso, depois de padecer no purgatório.

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